quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Estou capaz de matar pessoas!!

E hoje tive que dizer aos meus undergrads: "I think we have to set some boundaries here..."
Só não me chamam mãe porque...olha, porque não falam português!!
Depois há um Dom Juan que passa o tempo todo a "flirtar" com a miúda mais nova do grupo (que também é a mais esperta). Hoje quando os ensinava a programar a máquina de PCR e estava no passo dos 4ºC forever, ele sai-se com um "forever is a lot of time...I could only say forever if it was to say, I'll love you forever" dirigido à miúda... Uma pessoa não sabe se há-de rir ou se há-de chorar...
Não fui feita para isto...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012



«And what made these heart-to-hearts possible — you might even say what made the whole friendship possible during that time — was this understanding we had that anything we told each other during these moments would be treated with careful respect.»
― Kazuo Ishiguro, Never Let Me Go

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A insustentável leveza do ser...

De tempos a tempos dá-me para isto...provavelmente, e se fizer bem as contas, a coisa é capaz de coincidir com determinada fase do meu ciclo menstrual, ou qualquer coisa que o valha. Mas já me deixei de fazer contas, aceito que somos todos um saquinho de sangue que é bombeado com hormonas a cada segundo que passa e resigno-me à condição de receptáculo de neurotransmissores e outras demais hormonas e tento apenas lidar com isso, ajustar as doses, gastar os excessos.

Se há alturas em que dói e que somos acometidos daquele sentimento parvo de auto-comiseração em que, de uma forma egoísta, atraímos todas as atenções para nós em busca de qualquer coisa que nos levante do chão, que nos encha o ego ou simplesmente que nos lembre que lá fora há quem goste de nós, outras há em que o que mais dói é esta impossibilidade de lá estarmos para aqueles que gostamos. Senti-mo-nos presos e amordaçados e por mais que tentemos dar aquilo que podemos à distancia de um click num botão de rato fica sempre a faltar qualquer coisa, fica sempre a faltar tudo. E mais difícil do que lidar com a nossa própria dor, é a impossibilidade de aliviar a dor daqueles que gostamos de ajudar a carregar o fardo de ajudar a ajustar as doses dos bombardeamentos de hormonas a que estão sujeitos aqueles que amamos.

E quando penso nisso, lembro-me de um dos livros que mais gostei de ler, "A Insustentável Leveza do Ser", em que o Kundera dedica um capítulo inteiro à compaixão e a explora até à exaustão. Fiquei a perceber que há dois lados da mesma moeda e que, se nas línguas germânicas, compaixão assume o sentido de uma partilha pelo sentimento alheio em que as dores de quem nos está próximo tornam-se nas nossas próprias dores, as derivações latinas desta mesma palavra significam apenas piedade, o que acontece quando nos posicionamos num nível superior aquele que sofre e que nos garante uma posição dominadora. É como que se a compaixão fosse uma dádiva ao próximo e não uma partilha da dor como é visto pelos germânicos.

E depois penso que, mais uma vez, tudo se resume ao mesmo egoísmo de sempre. Que apenas oscilamos entre momentos em que precisamos sentir que os outros lá estão para nós e que partilham das nossas dores como na acepção germânica da palavra e momentos em que queremos assumir o nosso valor perante o próximo e por-mo-nos no nível superior oferecendo a nossa ajuda. E no fundo vai dar tudo ao mesmo, e no fundo somos todos uma cambada de egoístas que só queremos elevar-nos a nós mesmos.

Mas depois lembro-me de vocês, e passam-me as fases filosóficas e deixo de pensar e limito-me a sentir. E as vossas dores doem-me, e os vossos problemas preocupam-me. E é tão mais fácil lidar com as nossas próprias dores do que com as dores dos que gostamos. Connosco sabemos como ajustar os botões, sabemos para que lado os girar de modo a tornar a coisa mais suportável. Com os outros não sabemos se estamos a fazer o movimento certo e se girarmos para a direita vai acabar por fazer doer mais. E queremos estar perto e dói tanto...mas com a nossa dor podemos nós bem. E um simples abraço podia curar tanta coisa...e nós estamos tão longe para isso...e é uma merda. Uma filha da puta de distância que não nos deixa curar as dores dos nossos, ou pelo menos torná-las mais suportáveis. 
E por mais que vos diga que gosto de vocês e que vos lembre de quando em vez o quanto me fazem falta hoje acordei com a certeza que devia estar aí e que queria estar aí e que por mais que escreva e por mais que fale e por mais que fique triste, a única coisa certa a fazer era estar aí...e a puta da distância não me deixa estar aí.
E como um dia vos disse "these boots are made for walking"...só não sei é se foram feitas para percorrer grandes distâncias...

domingo, 18 de novembro de 2012

sábado, 17 de novembro de 2012

Extreme Makeover

Nos dias em que estou na URI tenho que ir de autocarro de Newport até Kingston onde fica a Universidade. Nesses mesmos dias e exactamente à mesma hora que eu há uma miúda asiática (é bonita, por isso deve ser para aí Coreana) que vai sempre nesse mesmo autocarro. O tempo de viagem, para mim, é de cerca de 1 hora, ela entra 2 paragens a seguir o que são apenas menos 5 minutos de viagem. Desde que aquela alminha entra no autocarro até que sai (aprox 1 hora), está a maquilhar-se. Eu, a primeira vez que vi, fiquei maravilhada! Desconhecia a parafernália de coisas que se podiam pôr na cara...durante aquele tempo ela saca caixas, pincéis, lápis, batons e até aquela merda que parece uma tesoura mas que é para enrolar as pestanas. Aquela merda é impressionante e eu, nas primeiras vezes, fiquei de facto fascinada. A miúda entra no autocarro como uma miúda normal e sai do autocarro tal e qual uma daquelas estátuas que existem no Museu Madame Tussauds. Habituei-me aquilo, já fazia parte da minha manhã e, para dizer a verdade, aprendi umas quantas merdas!
Na 4ª feira passada em vez de ir para o laboratório como é habitual fiquei num dos edifícios onde há aulas porque tinha um curso de "toxic waste" nesse edifício. Informei-me de onde era a sala e lá fui eu. Antes passei no WC e lá estava a menina do autocarro...não estava a maquilhar-se, mas estava a mudar de roupa. Em vez das calças de ganga tinha agora um cinto (acho que é suposto ser mini-saia) e em vez da sweater tinha uma merda cheia de folhos e com um decote até ao umbigo. 
E pronto, foi assim que fiquei a saber que estas coisas não acontecem só nos filmes...



P.S. Estou a planear amanhã ir fazer jogging, toda a gente faz jogging aqui e eu sou pela integração! Se não der notícias durante os próximos tempos foi porque faleci.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Hoje foi dia de...

... "Ooooohhh!!!! Really?! Your plugs are not like ours?!!"

Ensino tanta coisa a esta gente...

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Devagarinho vou começando a entender (???) este país...

Por aqui, alguns feriados que são ao Domingo são empurrados para a 2ª feira seguinte e faz-se feriado à Segunda. Mas melhor ainda que isso é o que implica haver um feriado durante a semana.
O camião do lixo passa às 4ªfeiras na minha rua e de manhã deve-se pôr os contentores à beira da estrada para o lixo ser recolhido. Hoje de manhã tinha que sair de casa às 6:30 da manhã e já ia a caminho do autocarro qd me lembrei, voltei atrás e andei a correr com a porra dos contentores (lixo orgânico, reciclagem e "yard waste") às costas. Vi que era a única que tinha posto a porra dos contentores na rua, mas pensei "Ah, deve ser porque ainda é muito cedo e ainda ninguém pôs". Ao fim do dia, chego a casa e reparo que os contentores ainda têm o lixo lá dentro...maaauuuu!!! Apanho a vizinha do lado na rua e perguntei-lhe o que é que se tinha passado, ao que ela respondeu: "Oh! But Monday was an holiday so Wednesday runs like a Tuesday...". Aaaaahhhhh!!! Mas como é que eu não pensei logo nisso?!! So obvious!! Daaahhhh!!!

...

Portanto, quando há um feriado a uma 2ª feira (por exemplo), toda a semana é empurrada um dia. Ou seja, a 3ª feira funciona como sendo uma 2ª feira, a 4ª feira como sendo uma 3ªfeira e aí por diante.
Eu um dia chego lá...


Macgyver genes...

O laboratório onde estou na URI era, até recentemente, um laboratório exclusivo de ecologia. Eu vim basicamente "montar" um laboratório de biologia molecular e ainda há muita coisa que vai faltando e que se vai encomendando conforme as necessidades. No outro dia estávamos a fazer extracções de DNA e faltavam uns "floaters" para pôr os tubos no banho quente. Foi o pânico, o horror, a tragédia na cabeça daquelas alminhas! Andei a ver se algum dos suportes que tínhamos faziam as vezes dos "floaters", mas não. Eu perguntei se tinham placas de esferovite e lá se foram arranjar umas quantas. Abri-lhes uns quantos buracos e ficou um "floater" perfeito! A miúda, ficou a olhar para mim maravilhada! Ah! Como é que te lembraste disso! Eu no gozo, olho para ela e digo-lhe: "You know, we have a saying that says that Portuguese people have Macgyver genes...". Ela olhou para mim, muito admirada e só disse: "Wow!!"", eu fiquei a rir-me para dentro!
Ontem, cheguei ao lab e já ela estava a preparar os tubos para fazermos o PCR. Outra coisa que ainda falta no lab são suportes para tubos pequeninos de PCR. Assim que lá cheguei, ela olhou para mim e disse: "Look, I got some of your Macgyver genes and I built a rack for small tubes out of a styrofoam plate!!" :-)
Nem imaginam o ar de felicidade dela! Que orgulho!!!
Nem imagino o que diriam se vissem a super centrífuga que "mê Nelso" construiu a partir de uma saladeira!!


domingo, 11 de novembro de 2012

Not even Sandy ruined it...

Nesta cidade acordo sempre às 7 da manhã, o sol nasce cedinho e quando está bom tempo o céu é mesmo azul, as cores são mesmo vivas e dá vontade de passear logo pela fresquinha.
Com o frio que já se faz sentir por aqui as ruas estão vazias de manhã, as únicas pessoas que se vêem estão a fazer o seu jogging matinal (esta gente corre muito...). Gosto muito desta cidade, o único problema que tem é faltarem cá vocês! :-)




domingo, 4 de novembro de 2012

It is what it is...

Diálogo, com um tal de Timothy, acerca da passagem do Sandy por aqui, em que eu acabo a conversa com:

Eu: Pois, nós em Portugal não estamos muito habituados a estas catástrofes naturais, por isso foi um bocadinho assustador...

...

Timothy: E por falar em Espanha... [o resto da linha não interessa para aqui].

Eu não consegui responder, mas acho que a cara que fiz disse tudo...ouve-se do fundo da sala, o meu chefe:

- She's gonna slap you in the face...

Primeira coisa a constatar, eles sabem muito bem onde é Portugal e que não somos Espanha, só gostam mesmo é de nos irritar. Segunda coisa, o meu mau feitio já é reconhecido por aqui...