segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

História verídica...

...aconteceu-me ainda agora.

Precisava transportar umas amostras de RNA de uma Universidade para a outra. Para isso fui ter com o senhor que está encarregue das encomendas e de todo o processo, para me arranjar gelo seco de modo a que eu pudesse transportar as amostras. 
Enquanto esperava que ele me fizesse o gelo seco, estávamos na conversa e calhou dizer-lhe que ia de bus, de uma Uni para a outra, com as amostras em gelo seco.
Ele olhou muito sério para mim e disse:

- "Are you sure you can carry a box with dry ice in the bus?"

Eu disse-lhe que achava que sim, até porque não era a primeira vez que o fazia. Ao que ele respondeu:

-"I don't know...if people see someone with your skin and hair color, and with an accent, carrying a suspicious box, they can report you to the authorities so they can be seen as an exemplar citizen."

Say what????!!!

O senhor é Indiano...

Quando entrei no bus reparei nestes avisos que havia por todo o lado e que nunca tinha reparado.


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Voltar



O mais difícil de se ir de visita é, sem dúvida, o ter que voltar. Quando vamos pela primeira vez nem pensamos naquilo que temos que deixar para trás. Primeiro ficamos excitados, depois ansiosos, depois nervosos, depois vem o stress de tratar da papelada toda, fazer as malas, escolher com cuidado a metade da vida que temos que deixar para trás porque não nos cabe inteira na mala Gastamos o tempo todo em detalhes que nos distraem do facto, de que afinal, a nossa vida fica toda por aí. 
Ultimam-se os preparativos, passaporte, visto, beijos, abraços e "até jás". Diz-se muitas vezes "isto passa num instante, daqui a pouco já cá estou outra vez", não sei se na tentativa de acalmar os que cá ficam ou de nos convencermos a nós próprios. Tenta-se levar o coração cheio, mas quando cá chegamos é que percebemos que não o trouxemos connosco.
A primeira vez vem-se sempre com o tempo contado. Os dias são levados em, inconsciente, contagem decrescente para se regressar e resgatar o coração que se tinha deixado lá.
Depois volta-se com a certeza que vamos matar essas saudades, mas os dias correm e fogem-nos sem nos darmos conta e, quando percebemos, ficou gente por ver e ficaram também momentos que nos souberam a pouco e nos deixaram ainda com mais vontade de ficar. Se ao menos pudéssemos congelar esses momentos...fazer pausa e replay sempre que nos fazem falta...e houve tantos que quis prolongar...
Diz-se por aí muitas vezes que é preciso coragem para ir embora. A coragem não está em vir, a coragem está em ficar.
Connosco trazemos o som das gargalhadas dos que gostamos, as conversas deitadas fora, a cumplicidade, os cheiros, o quentinho de um abraço e o sabor agridoce dos momentos que queríamos prolongados. 
Eu voltei, mas o meu coração, esse, deixei-o aí. Tratem-no bem.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Back to US of A


E parece que voltei...aliás, voltei, mas nem parece. Ontem cheguei a casa por voltas das 21h30 daqui depois de ter saído de Lx às 13h. Desde que saí do avião até que cheguei a casa só corri. Mala de 20 Kg atrás + mochila + casacos + cachecóis + uma grande constipação + surdez do ouvido direito...ainda estou a tentar perceber como é que não perdi nada. Entrei no comboio para Providence exactamente 1 segundo antes de partir, felizmente estava praticamente vazio e ninguém me viu tropeçar na mala e cair de forma elegante à entrada da carruagem. Meia hora depois chego a Providence e tenho que voltar a correr para encontrar a paragem de autocarro para Newport. Se perdesse o próximo só tinha um 1 hora depois. A meio do caminho sou interceptada por um indivíduo que me pergunta "What makes such a beautiful girl carrying this huge suitcase by herself?", depois de pensar "pronto, estou f****a, vou ser roubada e violada" lá respondi que ia apanhar o autocarro. O possível assaltante e violador agarrou na minha mala e levou-me à paragem de autocarro. E assim acontece na Capital do Estado de Rhode Island...



Cheguei a casa e não tinha comida nenhuma a não ser os pudins maravilha em que a Cátia me viciou. Jantei pudins e forcei-me a ficar acordada até horas decentes para me deitar e não acordar hoje às 4 da manhã. 

Hoje acordei com tudo branquinho...tenho as costas feitas em cocó e uma valente gripe, mas desde que vi este filme que quero muito ver neve na praia e acho que hoje é o dia. É um sonho assim para o básico, eu sei, mas acho bonito e às vezes temos que libertar a parola romântica que há em cada um de nós!
Até já meus amores!!!