Acho que hoje percebi um bocadinho mais as saudades. As minhas.
Dei por mim a pensar que as sinto de outra forma, já não é aquela ansiedade do
início, aquela vontade de ir a correr para voltar aos mesmos sítios, às mesmas
rotinas, às mesmas pessoas. Deixei de ter saudades de todos para passar a ter saudades de cada um. Não sei se faz parte do processo e não sei se acontece a toda a gente da mesma forma. Já não perco tempo a pensar que gostava de estar neste o naquele sítio com estas ou aquelas pessoas. O que me faz falta agora é mesmo a individualidade daqueles que deixei para trás...e é inevitável tentarmos encontrá-lo nas novas pessoas que nos vão rodeando...mas mesmo que o encontremos vão sempre soar como imitações porque não há aqui quem fale Xanês, não há ninguém com os mesmo dilemas morais do JT, ninguém com o humor inteligente do Neiva, ninguém que refile tanto por tão pouco como a Roti, ninguém tem a energia interminável da Claudia (e um telemóvel que toque tanto também não...), ninguém com o poder de me tirar do sério da minha Costa...vocês fazem-me falta, um a um. E o que é mais chato é que a soma das partes supera o todo e há dias em que custa saber-vos longe e que mesmo que vos oiça de tempo a tempo era o vosso abraço que fazia a diferença em dias um bocadinho mais cizentos. E é mesmo assim que uma pessoa vai vivendo as saudades, com os vossos telefonemas assíduos, os mimos que me vão enviando e, acima de tudo, lembrarem-me que também se vão lembrando de mim.
Com a distância não muda tudo, mas muda muita coisa...durante este percurso a que me propus sei que vou ganhar muita coisa nova, reforçar muito do que já tinha, mas também sei que se vão perdendo algumas pessoas que eram importantes para nós...por desleixo, às vezes por falta de tacto e às vezes só mesmo por falta de compreensão de que quem está deste lado dá muito mais valor a uma palavra.
Com isto sei que nunca vou voltar ao mesmo lugar, nunca vou voltar às mesmas pessoas, as coisas mudam, , nós mudamos e os outros mudam...nem que seja aos nossos olhos...
(...)
Nunca voltarei,
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia(...).
Álvaro de Campos
* E depois há a familia e as minhas Pales por quem as saudades são irracionais porque em nenhum momento eles me faltaram e, ainda assim, me fazem tanta falta...