segunda-feira, 22 de outubro de 2012

As saudades explicadas a quem não as consegue entender...(em jeito de desabafo)

Esta semana já faz um mês que aqui estou. Para a maioria, a frase seria, esta semana ainda só passou um mês desde que aqui estou. 
Não é a primeira vez que saio do país, já o fiz antes por alguns meses, mas sempre com o tempo contado, com um prazo, uma validade que me garantia que, por mais falta que as minha pessoas me fizessem, depois de passado esse prazo eu voltava para a minha casa, para a minha rotina, para as minhas pessoas. Desta vez é diferente, e por mais que se tente explicar a quem fica aquilo que sente alguém que vai sem data de regresso, o resultado é sempre uma uma grande frustração. 
É preciso estar cá, sair da nossa casa, deixar para trás as rotinas, deixar de ver os nossos, trocar o certo pelo incerto, abandonar os nossos pilares, deixar de ter o porto seguro de todos os dias, deixar de usar a nossa língua para as coisas mais básicas como chamar o canalizador...é preciso largar aqueles que sempre nos deram a segurança que só um lar nos consegue dar, aqueles que cresceram connosco e nos fizeram crescer, para se entender as saudades que se sentem longe de quem gostamos.
Depois há sempre as expectativas, que são fodidas, que nos deixam decepcionar por aqueles de quem esperávamos mais, aqueles que tomámos como certo de que estariam lá, no cantinho que deixámos, prontos para nos dar aquele abraço que faz falta (mesmo que virtual), para nos dizer um simples "olá" como quem diz "estás aí longe, mas não me esqueci de ti", mas no fim a única coisa que temos certo é que eles continuarão com a vida deles sem sequer notarem que fomos embora. E isso é tramado, deixa-nos um vazio muito grande. Mas depois há o reverso da medalha, há aqueles que, mesmo sem estarem perto, mesmo sem terem que falar connosco diariamente, sabem o momento certo para enviar aquele e-mail, para fazer aquela chamada no Skype, para nos dar a saber que estão lá e que vão estar sempre. São essas as pessoas que preenchem os meus Sábados (o dia de receber chamadas no Skype) de sorrisos e me dão o empurrãozinho inicial que se precisa para levar isto para a frente. São estas pessoas que entendem que para nós o "já faz um mês" é bem diferente do "ainda só passou um mês", que entendem que as saudades para nós chegam mais cedo, porque nos faltam as bases, os alicerces, porque tudo aquilo que estávamos habituados mudou. E a mudança não é má...eu gosto da mudança...mas caramba, somos animais sociais habituados a rotinas e estilos de vida que fizeram de nós o que somos hoje, não é suposto de um dia para o outro criarmos uma rotina nova e toda uma nova vida social que levou anos a criar no nosso espaço.
As novas tecnologias e redes sociais têm tanto de bom como de mau...permitem-nos estar em contacto com quem está longe, mas também nos permitem saber com facilidade quem nos deixa para trás.
Vidas ocupadas todos temos, todos saímos de casa bem cedo de manhã e voltamos ao fim do dia cansados, sem paciência...mas só alguns, aqueles que mesmo longe continuam a ser as nossas pessoas, conseguem entender estas saudades que não são proporcionais ao tempo que se está fora, estas saudades que só sente quem não tem data para voltar...e eu não me queixo das saudades, só as dou a conhecer...e se me queixar? Bolas! Não nos queixamos todos de vez em quando?!
Estou onde quero, a fazer aquilo que quero e como quero...quem me conhece sabe que não vou parar por aqui, não sei estar quieta e estou constantemente com vontade de conhecer sítios novos. Isto para mim é uma jornada que ainda agora começou, sei alguns vão caminhar sempre ao meu lado e sei que outros irão ficar pelo caminho.
As saudades não se medem em meses, nem em quilómetros, nem em horas de distância, as saudades medem-se em abraços que não demos, gargalhadas que não partilhámos, conversas que não tivemos e carinho que faltou. Acho que quem não as entende, nunca viveu verdadeiramente os outros...

2 comentários:

  1. Adorei! Mas fiquei triste.
    Beijinhos cheios de saudades

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  2. Não fiques triste...tu, a Margarida e a Joana são dos que me fazem sempre sentir que não estou sozinha...e por isso, muito obrigada!
    Beijo enorme!

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