quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ao meu amor pequenino que faz hoje 5 anos...

Ainda me parece que só passaram umas horas desde o momento em que entrei pela primeira vez no quarto da maternidade onde estava a tua mãe e te chamei "minha caganita" pela primeira vez. Entraste na nossa vida numa altura em que precisavamos de muita cor para pintar os nossos dias. E tu, com a paleta de cores dos teus lápis, pintaste o nosso mundo com braços e pernas compridos, com piratas e Ben Tens e peças de lego que se transformam naquilo que os teus sonhos, ainda sem limites, te permitem. Vieste dar-nos a esperança que tinhamos em falta para acreditar que, afinal, os dias podem ser bonitos e cheios de sol depois do terramoto e ensinaste-nos a olhar para o futuro com a certeza que cada dia conta e vale a pena.
A mim, ensinaste-me que existe um amor maior, um amor que não conhece limites. Mostraste-me a mais bonita e mais pura forma de amar, a verdadeira, a mais altruísta e aquela que se pensa não poder crescer mais, mas que todos os dias se descobre se ainda maior. Ensinaste-me que o melhor que se pode ter no mundo é o teu abraço, o teu sorriso e que tudo o resto é tão pequenino ao pé disso.
A vida nem sempre vai ser tua amiga e vai passar-te umas quantas rasteiras. Quero que saibas, meu amor pequenino, que vou estar sempre aqui para, contigo, fazer fintas à vida, dar-te a mão quando caires, limpar-te as feridas e pôr-te de novo de pé para enfrentares o que quer que se atravesse no teu caminho.
Em ti, meu amor pequenino, cabem todos os sonhos do mundo e o mundo ainda é tão grande para ti.
Estás tão crescido, meu bebé [EU NÂO SOU BEBÉ]. Estás tão grande...
Parabéns, minha caganita...um beijo e um abraço apertadinho da TiTânia.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

As Pales...

Para a maioria, as Pales são as miúdas que viviam na Travessa do Cego, nº9. São a miúda que era notável e que também era da tuna e que resmungava sempre que se via o branco do traje. São a miúda gira de sorriso fácil que não precisava de beber para fazer a festa. São a Vet com o São Bernardo giro, a miúda tímida que entrou na 2ª fase e a outra que andava metida com o tipo de Economia. As Pales são as miúdas que gostavam de festa, mas que também tinham uns apontamentos fixes. Para alguns, as Pales eram as Bruxas que gozavam com os outros meninos e diziam coisas más...para os outros as Pales eram isso e mais uma montanha de coisas. Mas para nós...para nós as Pales são a relação mais bonita que se construiu depois da idade adulta, as Pales são as mães dos meus sobrinhos do coração, são os pilares que não precisam da força do sangue nem de um sobrenome para se suportarem. As Pales são a família que se escolheu, o abraço que está sempre presente, a partilha de sorrisos mais bonita em momentos felizes e o abraço mais sincero em momentos de crise. As Pales são o que nos faz acreditar que "no matter what" vai haver, pela vida fora, alguém que nos vai amparar as quedas emocionais e ajudar-nos a lamber as feridas. As Pales são aquelas miúdas que sobreviveram à histeria da Universidade, à partilha de uma casa com 2 quartos e 6, às vezes 7, habitantes. As miúdas que foram cada uma para seu lado, mas que não passam sem saber umas das outras. As Pales são mais do que algum dia poderei pôr em palavras. Aquilo que existe entre as Pales só elas sabem explicar, e não é por palavras...
E porque hoje uma Pale precisa mais de mim e eu não posso estar sinto o coração apertadinho, sinto vontade de entrar num avião e voar para esse lado para lhe dar um abraço que lhe trouxesse um bocadinho mais de paz e força. Mas o amor de Pale multiplica-se, não se substitui entre nós, mas partilha-se na ausência de uma de nós. Porque nós não somos as miúdas que viviam na Travessa do Cego, nº9. Não somos a tola da tuna, a miúda gira de sorriso fácil, a vet, a tímida da 2ª fase e a outra do miúdo de Economia. As Pales são uma só. E, minha querida, as Pales estão hoje aí para ti com o abraço cura-tudo, com a mão esticada para te ajudar a levantar, com o coração muito apertadinho mas cheínho de amor e força para te ajudar a tornar um bocadinho mais tolerável a tarefa difícil que tens em mãos.
Gosto muito de ti, minha querida. Estou aqui, à distância de uma palavra.




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

As dores de crescimento...


"Nunca percebi quando se deixa de ser pequeno para se passar a ser crescido. Provavelmente quando a parente loira passa a ser referida, em português, como a desavergonhada da Luísa. Provavelmente quando substituímos os guarda-chuvas de chocolate por bifes tártaros. Provavelmente quando começamos a gostar de tomar duche. Provavelmente quando cessamos de ter medo do escuro. Provavelmente quando nos tornamos tristes. Mas não tenho a certeza: não sei se sou crescido."

António Lobo Antunes

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Que linda que é a neve!!!

Demorei 45 min a fazer este caminho que, em condições normais, demora menos de 20 min. Os passeios são autênticas armadilhas cobertos de "black ice". Ia caindo umas quantas vezes (uma delas vê-se no vídeo) e tive que andar a escalar montanhas de neve. A neve é muito bonita quando se pode ver de longe :-)



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

5 anos que se sentem como uma vida inteira

Lembro-me de ser pequenina [não sei exactamente a idade mas lembro-me que ainda ficava na casa da avó Alzira e ainda chamava cor-de-limão ao amarelo], e enquanto estava na cama à espera que o sono viesse às vezes era sobressaltada pela ideia dos meus pais morrerem. Ficava aflita, faltava-me o ar e o coração começava a bater muito depressa. Aprendi mais tarde que era um género de ataque de pânico. Para me acalmar dizia muitas vezes seguidas que aquilo não era possível, que não acontecia, que os pais não morrem nunca.
Faz hoje 5 anos que me morreste, que deixei de me poder acalmar e repetir muitas vezes que os pais não morrem. Faz hoje 5 anos que deixei de atender o telefone à hora de almoço só para te dizer que estava bem e receber o beijinho que fazias questão de me mandar todos os dias. Faz hoje 5 anos que não me agarras nas mãos, pões entre as tuas, para mas aqueceres ao mesmo tempo que dizes "tens sempre as mãos tão frias", que não me ensinas o nome daquela erva qualquer que eu encontro e não sei o que é, que não me dizes que preciso ter mais calma e ser mais serena. Há 5 anos que não te ligo para, no meio do entusiasmo, te descrever o sítio novo para onde viajei e que tu absorvias como se tu próprio lá estivesses. Há 5 anos que não te agarro na orelha até ficares com ela vermelha e tu, só quando já não aguentavas mais, me pedires para "largar um bocadinho".
Sempre gostaste daqueles de quem eu gostei, aqueles que tiveram a sorte de te conhecer, "se te fazem feliz também me fazem feliz a mim" dizias. Mas sabias pôr-me no meu lugar quando eu perdia a razão e por mais que me visses chorar ou berrar tentavas mostrar-me que era eu que estava errada e que não devia causar tanto alarido por uma coisa que certamente não interessava...desvalorizavas e dizias-me para não me esquecer que "não há nada melhor no mundo do que termos ao nosso lado aqueles que nós amamos."
Há 5 anos que aprendi que nada pode ser dado como garantido, que as pessoas que amamos também podem desaparecer. Há 5 anos que tento ser uma pessoa melhor (como tu), que aprendi que dizer "gosto de ti" a quem gostamos nunca é demais e que sabe tão bem dizê-lo quanto ouvi-lo, que não consigo ir para a cama chateada com ninguém porque não sei se no dia a seguir cá estarei para pedir desculpa ou para dar o abraço que ficou por dar. Há 5 anos que não te posso dar o nosso abraço, mas há 5 anos que, todos os dias, me ensinas que posso ser sempre uma pessoa melhor.
Contrariando o cliché, as saudades não diminuem com o tempo. As saudades aumentam todos os dias, e todos os dias temos que reaprender a como viver com elas. 
No dia em que soubeste que estava doente disseste-me que não tinhas medo de morrer que, por ti, não te importavas, mas que não querias morrer porque sabias que eu ainda precisava muito de ti. Sabes, tinhas razão...precisava de ti. Vou precisar de ti para sempre.
As pessoas morrem e o corpo desaparece para sempre, mas aquilo que nos ensinaram, os valores que nos passaram e a maneira como nos moldaram mantém-nas vivas para sempre. Eu vou sempre precisar de ti, mas tu vais estar sempre aqui, em cada conquista, em cada gargalhada, em cada história que conto aos meus sobrinhos, em cada obstáculo ultrapassado e em cada momento de felicidade. Preciso de ti, sim, mas sabes, tu estás sempre comigo.
E, por aqui, quando tenho as mãos frias, faço aquilo que me contavas que fazias, quando eras miúdo, no caminho para a escola quando estava a nevar. E assim, continuas também a aquecer-me as mãos quando estão frias :-)



Devia morrer-se de outra maneira.Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.Ou em nuvens.Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sola fingir de novo todas as manhãs, convocaríamosos amigos mais íntimos com um cartão de convitepara o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunicaa V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hojeàs 9 horas. Traje de passeio".E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatosescuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistira despedida.Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio."Adeus! Adeus!"E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,numa lassidão de arrancar raízes...(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-seem fumo... tão leve... tão sutil... tão pólen...como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de Outonoainda tocada por um vento de lábios azuis...

              (José Gomes Ferreira)

* Quem me conhece bem sabe que não sou de me explicar tanto, de falar tanto do que sinto ou do que me passa pela cabeça. Estar longe de tudo e de todos aqueles que me entendem sem eu ter que dizer nada faz-me ter a necessidade de me expressar de outra forma. Escrevo para me sentir um bocadinho mais perto de vocês, escrevo para ir mantendo algum equilíbrio. Como dizia Bukowski: "Nothing can save you except writing. It keeps the walls from failing. The hordes from closing in. It blasts the darkness. Writing is the ultimate psychiatrist, the kindliest god of all the gods." 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Hoje farias 65 anos...

...e se eu pudesse dava-te a tua flor preferida. Um Amor-Perfeito, como o nosso era.


Porque, por tudo aquilo que me ensinaste e me deste a conhecer, continuas vivo em mim, Parabéns Pai! :-)