sexta-feira, 17 de maio de 2013

Porque mais importante que vocês todos, é cada um de vocês...

Acho que hoje percebi um bocadinho mais as saudades. As minhas. Dei por mim a pensar que as sinto de outra forma, já não é aquela ansiedade do início, aquela vontade de ir a correr para voltar aos mesmos sítios, às mesmas rotinas, às mesmas pessoas. Deixei de ter saudades de todos para passar a ter saudades de cada um. Não sei se faz parte do processo e não sei se acontece a toda a gente da mesma forma. Já não perco tempo a pensar que gostava de estar neste o naquele sítio com estas ou aquelas pessoas. O que me faz falta agora é mesmo a individualidade daqueles que deixei para trás...e é inevitável tentarmos encontrá-lo nas novas pessoas que nos vão rodeando...mas mesmo que o encontremos vão sempre soar como imitações porque não há aqui quem fale Xanês, não há ninguém com os mesmo dilemas morais do JT, ninguém com o humor inteligente do Neiva, ninguém que refile tanto por tão pouco como a Roti, ninguém tem a energia interminável da Claudia (e um telemóvel que toque tanto também não...), ninguém com o poder de me tirar do sério da minha Costa...vocês fazem-me falta, um a um. E o que é mais chato é que a soma das partes supera o todo e há dias em que custa saber-vos longe e que mesmo que vos oiça de tempo a tempo era o vosso abraço que fazia a diferença em dias um bocadinho mais cizentos. E é mesmo assim que uma pessoa vai vivendo as saudades, com os vossos telefonemas assíduos, os mimos que me vão enviando e, acima de tudo, lembrarem-me que também se vão lembrando de mim.
Com a distância não muda tudo, mas muda muita coisa...durante este percurso a que me propus sei que vou ganhar muita coisa nova, reforçar muito do que já tinha, mas também sei que se vão perdendo algumas pessoas que eram importantes para nós...por desleixo, às vezes por falta de tacto e às vezes só mesmo por falta de compreensão de que quem está deste lado dá muito mais valor a uma palavra.
Com isto sei que nunca vou voltar ao mesmo lugar, nunca vou voltar às mesmas pessoas, as coisas mudam, , nós mudamos e os outros mudam...nem que seja aos nossos olhos...



(...)
Nunca voltarei, 
Nunca voltarei porque nunca se volta. 
O lugar a que se volta é sempre outro, 
A gare a que se volta é outra. 
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia(...).


Álvaro de Campos


* E depois há a familia e as minhas Pales por quem as saudades são irracionais porque em nenhum momento eles me faltaram e, ainda assim, me fazem tanta falta...

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Casa nova, caminho novo...

Querem vir comigo da Universidade para casa? Este caminho é ainda mais feio e as casas ainda mais pobrezinhas... :-)
Tem estado um nevoeiro tão cerrado que espero, a qualquer momento, encontrar o D. Sebastião :-)


http://www.youtube.com/watch?v=sRV1Sp5f-Vg  [Não consigo por a porra do vídeo aqui]


* Depois de ver o vídeo percebi que o "tu não andas tu deslizas" do Boss AC não se aplica a mim...

terça-feira, 9 de abril de 2013

A "ténovela" da URI

Para os menos atentos, na 5ª feira passada foi-me possível "checkar" um item na minha lista do "Living the American Dream". Ainda que tenha tido a sorte de nesse dia ter decidido ir para a outra Universidade, a Universidade com a qual tenho vínculo e na qual trabalho a maioria das vezes teve um daqueles tão típicos episódios de "gunman spotted" com direito a gente trancada nas salas de aula, Universidade evacuada e polícia (mais que as mães, dizem) a invadir o edifício onde estava supostamente o tal "gunman". Liguei aos meus coleguinhas para saber se estavam bem e eles estavam felizes da vida no lab a dizer que se sentiam muito seguros porque para entrar no nosso laboratório é preciso um cartão...claro que se houvesse alguém com ganas de andar ao tiro e matar uns quantos era mesmo uma portinha (envidraçada) que o ia parar...mas fiquei contente pela descontração deles. Entretanto a coisa passou. Não encontraram nada e o edifício foi aberto para o pessoal sair. No dia a seguir deram o dia aos alunos para ficarem em casa a recuperar do trauma (nunca vi adolescência tão mimada em toda a minha vida).
Entretanto, as teorias da conspiração começaram. Toda a gente desconfia de toda a gente e, sem exagero, passear naquele Campus é ser alvo de olhares de desconfiança.
Hoje, saiu um novo alerta. Aparentemente, na 6ª feira à noite a seguir ao sucedido, um rapazinho que estava na biblioteca demonstrou um comportamento muito estranho...disseram as testemunhas (que chamaram a polícia) que o rapaz estava a um canto da biblioteca a rir alto e sozinho e, quando lhe perguntaram o porquê de tanta excitação, ele respondeu qualquer coisa do género: "muahahaha, na próxima semana vão descobrir!!".

Ora bem, esta pessoa (na foto em baixo) está agora a ser procurada por todo o Campus. Eu tenho cá para mim que um jovem estar enfiado numa biblioteca numa 6ªfeira à noite também é coisa suspeita, mas daí a lançarem um alerta geral...Por favor avisem o Mr. Crock para não vir para estas lados nos próximos tempos...

Eu geralmente ando pelo Campus de head-phones e às vezes esqueço-me e canto um bocadinho alto. Por isso, deixo já o aviso que é possível que vejam a minha foto por aí um dia destes...é que ainda por cima eu desafino e a coisa pode tornar-se desagradável...

Aqui fica a foto e a descrição do maluquinho...ups, suspeito...


URI Campus Police are again asking for your assistance identifying a young man who was reportedly in some distress in the library Friday evening. We have posted new, clearer photographs of the individual on our Alert Page. He is described as a white male with a buzz haircut, clean-shaven, about 6' tall and 220 lbs. with a muscular build. He has a receding hairline and appears to be between 27-33 years of age. If you think you know the identity of this person, please call the URI Police at 874-2121. 
    

terça-feira, 2 de abril de 2013

Em jeito de balanço...

Para além de todas as outras, tenho uma estranha mania de fazer balanços na minha vida. Agarrar naquilo que fiz e fazer a ponderação entre aquilo que queria ter feito. Pesar as experiências, aprender com as más, aproveitar as boas, mudar de sítio aquilo que não está bem onde eu queria que estivesse, limpar o pó ao que  quero manter no sítio e deitar fora algumas coisas que já não vale a pena manter. É um bocado como as limpezas de Primavera em que se vira o colchão ao contrário e a roupa de Inverno vai para o baú de onde saem agora as de Verão. 
Não faço resoluções de ano novo e geralmente não faço dessa passagem um marco para arrumar a cabeça, mas esta é melhor altura porque passaram-se 6 meses desde que acabei o PhD, 6 meses que estou a viver nos EUA e 6 meses desde que comecei um novo trabalho como postdoc. É meio ano, meio ciclo, tempo de fazer balanços, pesar o bom, o mau e perceber se vale a pena continuar o caminho por aqui ou se é melhor mudar o precurso.

Nestes 6 meses aprendi mais que num par de anos em Portugal. Não foi só profissionalmente que cresci, mas também enquanto pessoa e, principalmente, na forma como vejo os outros e a mim mesma. Sairmos da nossa zona de conforto, deixarmos para trás aqueles que sabemos que estão sempre por baixo da corda-bamba a segurar a rede que nos ampara e passarmos a contar essencialmente connosco próprios, ao início assusta. Avançamos devarinho porque ainda nos estamos a habituar a termos que nos equilibrar sozinhos, mas depois de percebermos que somos capazes a sensação de segurança em nós próprios acaba por nos permitir ir por caminhos que há uns meses nem sonhávamos ser capaz de percorrer.

Nestes 6 meses conheci pessoas novas, diferentes, sítios novos, estilos de vida que só achavamos existir na televisão. Dei passos maiores que as pernas, caí e levantei-me. Senti, pela primeira vez, a nível profissional, que faço falta, que o meu trabalho não só é valorizado como essencial. Propuseram-me novos desafios, aceitei, tive medo...ainda tenho medo...fizeram-me sentir valorizada, deram-me parabéns, votos de confiança. 
Já tive vontade de fugir daqui, já tive dias muito maus...já tive dias em que me bastou haver sol para ser mais feliz. Já tive dias em que senti que o chão me fugia e pensei desistir. Já achei que nada disto valia estar longe dos que amo, já achei que isto era A experiência, já achei que não queria estar em mais lado nenhum que não aqui. Aprendi a conhecer-me muito melhor, aprendi a conhecer os outros. Percebi quem está lá nos dias em que o chão me foge para me ajudar a reequilibrar. Conheci melhor aqueles que achei que já conhecia de gingeira. Tive dias tão de merda em que não consegui sair de casa e nesses dias, sem que tivesse que dizer nada, tive quem me esticasse a mão. Aprendi que estar longe faz-nos ver melhor quem queremos por perto. Percebi que por mais laços que se estabeleçam e por mais pessoas que se conheça é importante que nos vão lembrando que os laços antigos continuam intactos. Conheci o que é ter medo à séria. Passei por um furacão e uma winter storm com direito a blizzard. Já adormeci a chorar com saudades. Já acordei a chorar com saudades. Viciei-me em chocolates com manteiga de amendoim e mesmo assim emagreci 5kg. Passei a caminhar uma média de 1h30 por dia e gosto. Aprendi a racionalizar...as emoções e as saudades. Aprendi que as saudades que tenho dos meus sobrinhos são impossíveis de racionalizar, são saudades que doem e me deixam sem fôlego.

Foram 6 meses que me ensinaram mais que muitos 6 anos e depois de altos e baixos percebo que valeram muito a pena. O balanço? Positivo...venham mais 6!! :-)

quinta-feira, 28 de março de 2013

E é isto...é mesmo isto...



What Happens When You Live Abroad

But one thing that undoubtedly exists between all of us, something that lingers unspoken at all of our gatherings, is fear. There is a palpable fear to living in a new country, and though it is more acute in the first months, even year, of your stay, it never completely evaporates as time goes on. It simply changes. The anxiousness that was once concentrated on how you’re going to make new friends, adjust, and master the nuances of the language has become the repeated question “What am I missing?” As you settle into your new life and country, as time passes and becomes less a question of how long you’ve been here and more one of how long you’ve been gone, you realize that life back home has gone on without you. People have grown up, they’ve moved, they’ve married, they’ve become completely different people — and so have you.
So many of us, when we leave our home countries, want to escape ourselves. We build up enormous webs of people, of bars and coffee shops, of arguments and exes and the same five places over and over again, from which we feel we can’t break free. There are just too many bridges that have been burned, or love that has turned sour and ugly, or restaurants at which you’ve eaten everything on the menu at least ten times — the only way to escape and to wipe your slate clean is to go somewhere where no one knows who you were, and no one is going to ask. And while it’s enormously refreshing and exhilarating to feel like you can be anyone you want to be and come without the baggage of your past, you realize just how much of “you” was based more on geographic location than anything else.
Walking streets alone and eating dinner at tables for one — maybe with a book, maybe not — you’re left alone for hours, days on end with nothing but your own thoughts. You start talking to yourself, asking yourself questions and answering them, and taking in the day’s activities with a slowness and an appreciation that you’ve never before even attempted. Even just going to the grocery store — when in an exciting new place, when all by yourself, when in a new language — is a thrilling activity. And having to start from zero and rebuild everything, having to re-learn how to live and carry out every day activities like a child, fundamentally alters you. Yes, the country and its people will have their own effect on who you are and what you think, but few things are more profound than just starting over with the basics and relying on yourself to build a life again. I have yet to meet a person who I didn’t find calmed by the experience. There is a certain amount of comfort and confidence that you gain with yourself when you go to this new place and start all over again, and a knowledge that — come what may in the rest of your life — you were capable of taking that leap and landing softly at least once.
But there are the fears. And yes, life has gone on without you. And the longer you stay in your new home, the more profound those changes will become. Holidays, birthdays, weddings — every event that you miss suddenly becomes a tick mark on an endless ream of paper. One day, you simply look back and realize that so much has happened in your absence, that so much has changed. You find it harder and harder to start conversations with people who used to be some of your best friends, and in-jokes become increasingly foreign — you have become an outsider. There are those who stay so long that they can never go back. We all meet the ex-pat who has been in his new home for 30 years and who seems to have almost replaced the missed years spent back in his homeland with full, passionate immersion into his new country. Yes, technically they are immigrants. Technically their birth certificate would place them in a different part of the world. But it’s undeniable that whatever life they left back home, they could never pick up all the pieces to. That old person is gone, and you realize that every day, you come a tiny bit closer to becoming that person yourself — even if you don’t want to.
So you look at your life, and the two countries that hold it, and realize that you are now two distinct people. As much as your countries represent and fulfill different parts of you and what you enjoy about life, as much as you have formed unbreakable bonds with people you love in both places, as much as you feel truly at home in either one, so you are divided in two. For the rest of your life, or at least it feels this way, you will spend your time in one naggingly longing for the other, and waiting until you can get back for at least a few weeks and dive back into the person you were back there. It takes so much to carve out a new life for yourself somewhere new, and it can’t die simply because you’ve moved over a few time zones. The people that took you into their country and became your new family, they aren’t going to mean any less to you when you’re far away.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Mãe, foi desta...

Hoje acordei tarde e fui a correr para o lab, atrasada. Por volta da hora de almoço percebo que me tinha esquecido de levar tampões (não que isso vos interesse muito, mas é importante para a história...). Saio a correr do lab e vou a casa buscar os ditos. Chego a casa e percebo que não tenho...vou a correr ao supermercado. Chego ao supermercado, à pressa porque tinha deixado coisas a meio no lab, e pego na primeira caixa de tampões que encontro. Geralmente uso tampões mini (acredito que também não vos interesse, mas tb é importante para a história...). Chego ao lab e reparo que os tampões que tinha adquirido no supermercado não são mini...também não são medium...nem plus...mas sim Super Plus!



Juro-vos que nunca tinha visto coisa tão grande...tampões...
Visto que já estava no lab e não tinha outra hipótese, tenho a anunciar...Mãe, já não sou virgem...e foi assim...sem um beijo nem nada...

quinta-feira, 21 de março de 2013

Carta Aberta ao São Pedro #2

Caro Senhor São Pedro:

Vai para a puta que te pariu!!!

Agradecida

Tania Aires

Foto tirada às 16h30 (dia 21 de Março de 2013)

quarta-feira, 20 de março de 2013

Carta Aberta ao São Pedro

Querido Senhor São Pedro

Em primeiro lugar, obrigada por nos mandares um dia de sol, hoje, no primeiro dia de Primavera. Foi querido e "thoughtful" da tua parte enviares-nos um dia que, de facto, lembra a Primavera. Ontem de manhã nevou. Depois choveu durante a tarde toda e a neve derreteu. A neve derretida juntamente com a chuva fez uma bela de uma cagada pelas ruas da cidade. Era lama por todo o lado que facilmente se confundia com os cagalhões dos cães e que graças a isso me fez chegar a casa com as botas a cheirar a merda. Hoje foste um porreiro! Está sol e, na loucura, consegui sair de casa sem gorro e arrisco-me a tirar o casaco quando mais logo sair do edifício! Quem chegasse aqui hoje pensava "sim senhor, a Primavera chegou a esta cidade"! Mas não, não é?! É tudo para despistar...para nos dares falsas esperanças. Não te armes em sonso que eu já vi as previsões e amanhã volta a chover e a temperatura desce. E no fim-de-semana vai nevar outra vez, não é? A passarada anda doida! É uma chinfrineira lá fora que não se aguenta! Estão felizes, pois claro! E o pior é que vai andar tudo a pinar como se não houvesse amanhã (e não há...pelo menos como hoje) e depois não há condições para criar os filhos, não é? Achas que isso se faz? Eu não faço idéia do que se passa na tua cabeça, se é crise de meia idade, se andas chateado com a Economia mundial...não sei, mas temos que chegar a um acordo. Para não parecer mal agradecida, muito obrigada pelo dia de hoje, mas pah!!! Tu vê lá se te atinas e mandas a puta da Primavera de uma vez! Decide-te ou toma a merda dos comprimidos!!
Grata pela atenção dispensada,

Com os melhores cumprimentos

Tânia Aires

Foto tirada às 9h30 da manhã (dia 20 de Março de 2013)

terça-feira, 19 de março de 2013

O dia do pai...

...é também um bocadinho o dia do filho. Porque embora nunca tenhas tido um pai que te servisse de modelo ou referência tornaste-te, sem dificuldade, no melhor pai do mundo.


Para quem tem a sorte de ainda ter o pai por perto abracem-nos com força. Não só hoje, mas todos os dias que o puderem fazer. Feliz dia do Pai!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Ai Portugal, Portugal...

Tenho saudades do pão. tenho saudades do cheiro a lareira. tenho saudades de palmieres e pastéis de nata. tenho saudades de abraços. tenho saudades dos gestos. tenho saudades dos cheiros dos meus. tenho saudades de cozido à portuguesa. tenho saudades do meu gato. tenho saudades dos meus amigos. tenho saudades dos meus sobrinhos. tenho saudades da minha irmã. tenho saudades da minha família. tenho saudades de iogurtes líquidos. tenho saudades do café. tenho saudades de esplanadas. tenho saudades do sol que aquece. tenho saudades de Lisboa. tenho saudades dos dois beijinhos em vez do aperto de mão. tenho saudades do barulho. tenho saudades dos sorrisos sinceros e da simpatia genuína. tenho saudades de pataniscas. tenho saudades de Compal maracujá. tenho saudades da minha avó. tenho saudades do cheiro da minha mãe. tenho saudades de adormecer o meu sobrinho. tenho saudades das Pales. tenho saudades dos jantares dos velhos. tenho saudades do cheiro a bebé da minha sobrinha. tenho saudades de sentir o olhar daqueles que gostam de mim. tenho saudades de presunto. tenho saudades de conduzir. tenho saudades da minha cama. tenho saudades de não ter medo do que vem a seguir. tenho saudades das horas de almoço. tenho saudades de clementinas. tenho saudades de roupa seca no estendal. tenho saudades do meu País. tenho saudades de não ter tantas saudades.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Este é um dia que me diz muito pouco, a mim que já nasci livre e sem ter pelo que lutar...

...mas, infelizmente, há ainda muitas mulheres, por este mundo fora, que fazem com que ainda seja preciso assinalar este dia.

Para as mulheres da minha vida:

Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente, mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de vontade tornam-se mesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor. Não são de confiança, mas até a mais infiel das mulheres é mais leal que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça, mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jantarada de amigos – elas quando jogam é para e é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acreditam no Amor com A grande mas, para nossa sorte, contentam-se com pouco."

Rui Zink

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ao meu amor pequenino que faz hoje 5 anos...

Ainda me parece que só passaram umas horas desde o momento em que entrei pela primeira vez no quarto da maternidade onde estava a tua mãe e te chamei "minha caganita" pela primeira vez. Entraste na nossa vida numa altura em que precisavamos de muita cor para pintar os nossos dias. E tu, com a paleta de cores dos teus lápis, pintaste o nosso mundo com braços e pernas compridos, com piratas e Ben Tens e peças de lego que se transformam naquilo que os teus sonhos, ainda sem limites, te permitem. Vieste dar-nos a esperança que tinhamos em falta para acreditar que, afinal, os dias podem ser bonitos e cheios de sol depois do terramoto e ensinaste-nos a olhar para o futuro com a certeza que cada dia conta e vale a pena.
A mim, ensinaste-me que existe um amor maior, um amor que não conhece limites. Mostraste-me a mais bonita e mais pura forma de amar, a verdadeira, a mais altruísta e aquela que se pensa não poder crescer mais, mas que todos os dias se descobre se ainda maior. Ensinaste-me que o melhor que se pode ter no mundo é o teu abraço, o teu sorriso e que tudo o resto é tão pequenino ao pé disso.
A vida nem sempre vai ser tua amiga e vai passar-te umas quantas rasteiras. Quero que saibas, meu amor pequenino, que vou estar sempre aqui para, contigo, fazer fintas à vida, dar-te a mão quando caires, limpar-te as feridas e pôr-te de novo de pé para enfrentares o que quer que se atravesse no teu caminho.
Em ti, meu amor pequenino, cabem todos os sonhos do mundo e o mundo ainda é tão grande para ti.
Estás tão crescido, meu bebé [EU NÂO SOU BEBÉ]. Estás tão grande...
Parabéns, minha caganita...um beijo e um abraço apertadinho da TiTânia.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

As Pales...

Para a maioria, as Pales são as miúdas que viviam na Travessa do Cego, nº9. São a miúda que era notável e que também era da tuna e que resmungava sempre que se via o branco do traje. São a miúda gira de sorriso fácil que não precisava de beber para fazer a festa. São a Vet com o São Bernardo giro, a miúda tímida que entrou na 2ª fase e a outra que andava metida com o tipo de Economia. As Pales são as miúdas que gostavam de festa, mas que também tinham uns apontamentos fixes. Para alguns, as Pales eram as Bruxas que gozavam com os outros meninos e diziam coisas más...para os outros as Pales eram isso e mais uma montanha de coisas. Mas para nós...para nós as Pales são a relação mais bonita que se construiu depois da idade adulta, as Pales são as mães dos meus sobrinhos do coração, são os pilares que não precisam da força do sangue nem de um sobrenome para se suportarem. As Pales são a família que se escolheu, o abraço que está sempre presente, a partilha de sorrisos mais bonita em momentos felizes e o abraço mais sincero em momentos de crise. As Pales são o que nos faz acreditar que "no matter what" vai haver, pela vida fora, alguém que nos vai amparar as quedas emocionais e ajudar-nos a lamber as feridas. As Pales são aquelas miúdas que sobreviveram à histeria da Universidade, à partilha de uma casa com 2 quartos e 6, às vezes 7, habitantes. As miúdas que foram cada uma para seu lado, mas que não passam sem saber umas das outras. As Pales são mais do que algum dia poderei pôr em palavras. Aquilo que existe entre as Pales só elas sabem explicar, e não é por palavras...
E porque hoje uma Pale precisa mais de mim e eu não posso estar sinto o coração apertadinho, sinto vontade de entrar num avião e voar para esse lado para lhe dar um abraço que lhe trouxesse um bocadinho mais de paz e força. Mas o amor de Pale multiplica-se, não se substitui entre nós, mas partilha-se na ausência de uma de nós. Porque nós não somos as miúdas que viviam na Travessa do Cego, nº9. Não somos a tola da tuna, a miúda gira de sorriso fácil, a vet, a tímida da 2ª fase e a outra do miúdo de Economia. As Pales são uma só. E, minha querida, as Pales estão hoje aí para ti com o abraço cura-tudo, com a mão esticada para te ajudar a levantar, com o coração muito apertadinho mas cheínho de amor e força para te ajudar a tornar um bocadinho mais tolerável a tarefa difícil que tens em mãos.
Gosto muito de ti, minha querida. Estou aqui, à distância de uma palavra.




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

As dores de crescimento...


"Nunca percebi quando se deixa de ser pequeno para se passar a ser crescido. Provavelmente quando a parente loira passa a ser referida, em português, como a desavergonhada da Luísa. Provavelmente quando substituímos os guarda-chuvas de chocolate por bifes tártaros. Provavelmente quando começamos a gostar de tomar duche. Provavelmente quando cessamos de ter medo do escuro. Provavelmente quando nos tornamos tristes. Mas não tenho a certeza: não sei se sou crescido."

António Lobo Antunes

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Que linda que é a neve!!!

Demorei 45 min a fazer este caminho que, em condições normais, demora menos de 20 min. Os passeios são autênticas armadilhas cobertos de "black ice". Ia caindo umas quantas vezes (uma delas vê-se no vídeo) e tive que andar a escalar montanhas de neve. A neve é muito bonita quando se pode ver de longe :-)



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

5 anos que se sentem como uma vida inteira

Lembro-me de ser pequenina [não sei exactamente a idade mas lembro-me que ainda ficava na casa da avó Alzira e ainda chamava cor-de-limão ao amarelo], e enquanto estava na cama à espera que o sono viesse às vezes era sobressaltada pela ideia dos meus pais morrerem. Ficava aflita, faltava-me o ar e o coração começava a bater muito depressa. Aprendi mais tarde que era um género de ataque de pânico. Para me acalmar dizia muitas vezes seguidas que aquilo não era possível, que não acontecia, que os pais não morrem nunca.
Faz hoje 5 anos que me morreste, que deixei de me poder acalmar e repetir muitas vezes que os pais não morrem. Faz hoje 5 anos que deixei de atender o telefone à hora de almoço só para te dizer que estava bem e receber o beijinho que fazias questão de me mandar todos os dias. Faz hoje 5 anos que não me agarras nas mãos, pões entre as tuas, para mas aqueceres ao mesmo tempo que dizes "tens sempre as mãos tão frias", que não me ensinas o nome daquela erva qualquer que eu encontro e não sei o que é, que não me dizes que preciso ter mais calma e ser mais serena. Há 5 anos que não te ligo para, no meio do entusiasmo, te descrever o sítio novo para onde viajei e que tu absorvias como se tu próprio lá estivesses. Há 5 anos que não te agarro na orelha até ficares com ela vermelha e tu, só quando já não aguentavas mais, me pedires para "largar um bocadinho".
Sempre gostaste daqueles de quem eu gostei, aqueles que tiveram a sorte de te conhecer, "se te fazem feliz também me fazem feliz a mim" dizias. Mas sabias pôr-me no meu lugar quando eu perdia a razão e por mais que me visses chorar ou berrar tentavas mostrar-me que era eu que estava errada e que não devia causar tanto alarido por uma coisa que certamente não interessava...desvalorizavas e dizias-me para não me esquecer que "não há nada melhor no mundo do que termos ao nosso lado aqueles que nós amamos."
Há 5 anos que aprendi que nada pode ser dado como garantido, que as pessoas que amamos também podem desaparecer. Há 5 anos que tento ser uma pessoa melhor (como tu), que aprendi que dizer "gosto de ti" a quem gostamos nunca é demais e que sabe tão bem dizê-lo quanto ouvi-lo, que não consigo ir para a cama chateada com ninguém porque não sei se no dia a seguir cá estarei para pedir desculpa ou para dar o abraço que ficou por dar. Há 5 anos que não te posso dar o nosso abraço, mas há 5 anos que, todos os dias, me ensinas que posso ser sempre uma pessoa melhor.
Contrariando o cliché, as saudades não diminuem com o tempo. As saudades aumentam todos os dias, e todos os dias temos que reaprender a como viver com elas. 
No dia em que soubeste que estava doente disseste-me que não tinhas medo de morrer que, por ti, não te importavas, mas que não querias morrer porque sabias que eu ainda precisava muito de ti. Sabes, tinhas razão...precisava de ti. Vou precisar de ti para sempre.
As pessoas morrem e o corpo desaparece para sempre, mas aquilo que nos ensinaram, os valores que nos passaram e a maneira como nos moldaram mantém-nas vivas para sempre. Eu vou sempre precisar de ti, mas tu vais estar sempre aqui, em cada conquista, em cada gargalhada, em cada história que conto aos meus sobrinhos, em cada obstáculo ultrapassado e em cada momento de felicidade. Preciso de ti, sim, mas sabes, tu estás sempre comigo.
E, por aqui, quando tenho as mãos frias, faço aquilo que me contavas que fazias, quando eras miúdo, no caminho para a escola quando estava a nevar. E assim, continuas também a aquecer-me as mãos quando estão frias :-)



Devia morrer-se de outra maneira.Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.Ou em nuvens.Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sola fingir de novo todas as manhãs, convocaríamosos amigos mais íntimos com um cartão de convitepara o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunicaa V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hojeàs 9 horas. Traje de passeio".E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatosescuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistira despedida.Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio."Adeus! Adeus!"E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,numa lassidão de arrancar raízes...(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-seem fumo... tão leve... tão sutil... tão pólen...como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de Outonoainda tocada por um vento de lábios azuis...

              (José Gomes Ferreira)

* Quem me conhece bem sabe que não sou de me explicar tanto, de falar tanto do que sinto ou do que me passa pela cabeça. Estar longe de tudo e de todos aqueles que me entendem sem eu ter que dizer nada faz-me ter a necessidade de me expressar de outra forma. Escrevo para me sentir um bocadinho mais perto de vocês, escrevo para ir mantendo algum equilíbrio. Como dizia Bukowski: "Nothing can save you except writing. It keeps the walls from failing. The hordes from closing in. It blasts the darkness. Writing is the ultimate psychiatrist, the kindliest god of all the gods." 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Hoje farias 65 anos...

...e se eu pudesse dava-te a tua flor preferida. Um Amor-Perfeito, como o nosso era.


Porque, por tudo aquilo que me ensinaste e me deste a conhecer, continuas vivo em mim, Parabéns Pai! :-)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

História verídica...

...aconteceu-me ainda agora.

Precisava transportar umas amostras de RNA de uma Universidade para a outra. Para isso fui ter com o senhor que está encarregue das encomendas e de todo o processo, para me arranjar gelo seco de modo a que eu pudesse transportar as amostras. 
Enquanto esperava que ele me fizesse o gelo seco, estávamos na conversa e calhou dizer-lhe que ia de bus, de uma Uni para a outra, com as amostras em gelo seco.
Ele olhou muito sério para mim e disse:

- "Are you sure you can carry a box with dry ice in the bus?"

Eu disse-lhe que achava que sim, até porque não era a primeira vez que o fazia. Ao que ele respondeu:

-"I don't know...if people see someone with your skin and hair color, and with an accent, carrying a suspicious box, they can report you to the authorities so they can be seen as an exemplar citizen."

Say what????!!!

O senhor é Indiano...

Quando entrei no bus reparei nestes avisos que havia por todo o lado e que nunca tinha reparado.


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Voltar



O mais difícil de se ir de visita é, sem dúvida, o ter que voltar. Quando vamos pela primeira vez nem pensamos naquilo que temos que deixar para trás. Primeiro ficamos excitados, depois ansiosos, depois nervosos, depois vem o stress de tratar da papelada toda, fazer as malas, escolher com cuidado a metade da vida que temos que deixar para trás porque não nos cabe inteira na mala Gastamos o tempo todo em detalhes que nos distraem do facto, de que afinal, a nossa vida fica toda por aí. 
Ultimam-se os preparativos, passaporte, visto, beijos, abraços e "até jás". Diz-se muitas vezes "isto passa num instante, daqui a pouco já cá estou outra vez", não sei se na tentativa de acalmar os que cá ficam ou de nos convencermos a nós próprios. Tenta-se levar o coração cheio, mas quando cá chegamos é que percebemos que não o trouxemos connosco.
A primeira vez vem-se sempre com o tempo contado. Os dias são levados em, inconsciente, contagem decrescente para se regressar e resgatar o coração que se tinha deixado lá.
Depois volta-se com a certeza que vamos matar essas saudades, mas os dias correm e fogem-nos sem nos darmos conta e, quando percebemos, ficou gente por ver e ficaram também momentos que nos souberam a pouco e nos deixaram ainda com mais vontade de ficar. Se ao menos pudéssemos congelar esses momentos...fazer pausa e replay sempre que nos fazem falta...e houve tantos que quis prolongar...
Diz-se por aí muitas vezes que é preciso coragem para ir embora. A coragem não está em vir, a coragem está em ficar.
Connosco trazemos o som das gargalhadas dos que gostamos, as conversas deitadas fora, a cumplicidade, os cheiros, o quentinho de um abraço e o sabor agridoce dos momentos que queríamos prolongados. 
Eu voltei, mas o meu coração, esse, deixei-o aí. Tratem-no bem.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Back to US of A


E parece que voltei...aliás, voltei, mas nem parece. Ontem cheguei a casa por voltas das 21h30 daqui depois de ter saído de Lx às 13h. Desde que saí do avião até que cheguei a casa só corri. Mala de 20 Kg atrás + mochila + casacos + cachecóis + uma grande constipação + surdez do ouvido direito...ainda estou a tentar perceber como é que não perdi nada. Entrei no comboio para Providence exactamente 1 segundo antes de partir, felizmente estava praticamente vazio e ninguém me viu tropeçar na mala e cair de forma elegante à entrada da carruagem. Meia hora depois chego a Providence e tenho que voltar a correr para encontrar a paragem de autocarro para Newport. Se perdesse o próximo só tinha um 1 hora depois. A meio do caminho sou interceptada por um indivíduo que me pergunta "What makes such a beautiful girl carrying this huge suitcase by herself?", depois de pensar "pronto, estou f****a, vou ser roubada e violada" lá respondi que ia apanhar o autocarro. O possível assaltante e violador agarrou na minha mala e levou-me à paragem de autocarro. E assim acontece na Capital do Estado de Rhode Island...



Cheguei a casa e não tinha comida nenhuma a não ser os pudins maravilha em que a Cátia me viciou. Jantei pudins e forcei-me a ficar acordada até horas decentes para me deitar e não acordar hoje às 4 da manhã. 

Hoje acordei com tudo branquinho...tenho as costas feitas em cocó e uma valente gripe, mas desde que vi este filme que quero muito ver neve na praia e acho que hoje é o dia. É um sonho assim para o básico, eu sei, mas acho bonito e às vezes temos que libertar a parola romântica que há em cada um de nós!
Até já meus amores!!!